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domingo, 28 de abril de 2013

Dica de Poesia


Patético
(Vinicius de Moraes)

Está ausente. Ausente como as vozes da minha infância 
E muda - eu lhe dou adeus de todos os espaços 
Grito o seu nome em todas as ruas - e os trens passam deixando a distância nas casas que dormem 
Mas está muda e ausente - e os trens passam e eu grito o seu nome… 

Ah, meu amor! por que a saudade está me chamando para a noite? 
Sou eu, sou eu! aquele cuja alma se estende sobre a vida 
Aquele cujo espírito é imenso e cujo coração é trágico 
Eu, eu... E logo nada mais serei que memória e dolorosa lembrança 

Teus gestos e teus olhares de profunda inocência, onde estão? 
Nada se move... - há uma luz, um leito e uma lua lá longe... 
Talvez eu esteja prisioneiro de um destino atroz - socorre-me! 
Talvez eu esteja sofrendo um instante atroz - liberta-me! 

Quero a calma, a pureza, a serenidade do teu mundo 
Quero as manhãs nascendo e as tardes se pondo docemente 
Não quero o horror! as convulsões, os desânimos, as lágrimas, a cólera 
Quero as tuas mãos - e não as encontro no ar, no mar, no luar, no caminhar 

Adormece e vem - eu sei que sou forte e belo para a vida 
Sei que há um gênio inquieto na minha palavra que um dia será ouvida 
Mas nesse momento quero apenas que seja tu a que sabe e a que recebe 
Onde estás? - no país distante que fica ao poente ou no país presente que fica ao levante?… 

Ausente - muda e ausente! crianças que sonham trazei-me o seu sono 
Estrelas que dormem trazei-me o seu sonho. - Mas quem bateu na minha janela? 
- Foi o grito dos trens partindo da tristeza de uns para a alegria de outros 
- Foi o grito do além pedindo o orvalho das madrugadas para a carne dos infelizes…

Dica de Pensamento


PENSAMOS DE MAIS E SENTIMOS DE MENOS

(Charles Chaplin)


Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.
O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos. Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes. Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá.

sábado, 27 de abril de 2013

Dica de Poesia


A UM AUSENTE
(Carlos Drummond de Andrade)

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.




sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dica de Livro


A Última Música

Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virada de cabeça para baixo, quando seus pais se divorciaram e seu pai decide ir morar na praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. Três anos depois, ela continua magoada e distante dos pais, particularmente do pai. Entretanto, sua mãe decide que seria melhor para os filhos passarem as férias de verão com ele na Carolina do Norte. O pai de Ronnie, ex-pianista, vive uma vida tranquila na cidade costeira, absorto na criação de uma obra de arte que será a peça central da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação dele e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e conforme vai baixando a guarda começa a apaixonar-se profundamente por ele, abrindo-se para uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade – e dor – jamais sentida. Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão – o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão – A ULTIMA MÚSICA demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração.

Fonte: skoob / acesso em 26 de abril de 2013.

Dica de Fílme


Um Amor para Recordar



Um Amor para Recordar transmite a mensagem de como o amor é fundamental na vida das pessoas, até mesmo àquelas que se repudiam de qualquer sentimento ou que pelos menos pensam que repudiam.

O filme conta a história de Landon Carter, um adolescente rebelde que não tem fé e vive aprontando em sua escola até o momento em que ele ultrapassa todos os limites: faz uma brincadeira com um rapaz e quase o deixa paraplégico.

Como condenação, o badboy tem que participar de uma peça teatral, onde conhece Jamie Sullivan, uma menina linda e inocente. A garota tenta uma aproximação, mas é rejeitada, pois o badboy ainda está ligado em suas antigas amizades. Ele acaba percebendo que precisa de ajuda para passar suas falas, pede ajuda a Jamie que com o convívio ‘forçado’ começa a conhecê-lo melhor.

Essa convivência mostrou a Landon como Jamie é especial e a partir daí nasce um amor que nenhum dos dois esperava acontecer, muito pelo contrário, era realmente improvável eles pensarem em tal combinação. Como o pai de Jamie é pastor Landon começou a entender a importância da fé em Deus e quanto algo simples pode ser realmente valioso em nossas vidas, mas o pai da garota não gosta nada da união dos dois.

Conforme o tempo passa, o pai de Jaime vê que Landon está mudando e diz para filha ser feliz da maneira que achar melhor, mas a orienta contar seu segredo para o garoto. 




Dica de Música


        Tempo Perdido      

                     Legião Urbana

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!

Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens

Tão Jovens! Tão Jovens!

Letra retirada do site Vagalume

Dica de Pensamento



Nunca Aprendi a Viver


De repente eu me vi e vi o mundo. E entendi: o mundo é sempre dos outros. Nunca meu. Sou o pária dos ricos. Os pobres de alma nada armazenam. A vertigem que se tem quando num súbito relâmpago-trovoada se vê o clarão do não entender. EU NÃO ENTENDO! Por medo da loucura, renunciei à verdade. Minhas idéias são inventadas. Eu não me responsabilizo por elas. O mais engraçado é que nunca aprendi a viver. Eu não sei nada. Só sei ir vivendo. Como o meu cachorro. Eu tenho medo do ótimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás. Se eu desse um passo para a frente eu seria enfocada pelo amarelado de esplendor que quase cega.  

                                                              - Clarisse Lispector.