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domingo, 28 de abril de 2013

Poema de Clarice Lispector



Já escondi um amor com medo de perdê-lo

(Clarice Lispector)

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade… Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram… Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

                                                            
                                                                                     Clique na imagem para ler o conto na íntegra


   Este é um conto psicológico escrito por Clarice Lispector e trabalhado em sala de aula. Nele a narradora conta a história de uma menina má, filha de dono de livraria, que oferece o livro "As reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato emprestado, ela deveria passar no dia seguinte para pegá-lo. Todos os dias a narradora ia até a casa da menina, mas ela sempre inventava uma desculpa para não entregá-lo. Até que a mãe da menina egoísta, desconfiada, descobre a farsa  praticada pela filha e entrega o livro para a narradora, que aprecia cada pedaço do livro que é lido, fingindo não o ter em suas mãos para depois olhá-lo e ficar feliz por tê-lo junto a ti, em outras palavras, não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”.
   No conto é difícil perceber o verdadeiro significado do título. Talvez ela quisesse dizer que a felicidade estivesse enquanto a narradora estava com o livro, apesar desse sentimento não ser prolongado pois, após alguns dias o livro seria devolvido.


Atividade proposta pela professora Ilvanita, que nos orientou a ler este conto, para aprofundarmos nos contos psicológicos.

Frases de Clarice Lispector


"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós".

 "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada".


"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome".



"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro". Depende de quando e como você me vê passar".




"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".                     




"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar".



"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam".



Biografia de Clarice Lispector


    Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, na aldeia Tchetchenilk, no ano de 1925. Os Lispector emigraram da Rússia para o Brasil no ano seguinte, e Clarice nunca mais voltou á pequena aldeia. Fixaram-se em Recife, onde a escritora passou a infância. Clarice tinha 12 anos e já era órfã de mãe quando a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Entre muitas leituras, ingressou no curso de Direito, formou-se e começou a colaborar em jornais cariocas. Casou-se com um colega de faculdade em 1943. No ano seguinte publicava sua primeira obra: “Perto do coração selvagem”. A moça de 19 anos assistiu à perplexidade nos leitores e na crítica: quem era aquela jovem que escrevia "tão diferente"? Seguindo o marido, diplomata de carreira, viveu fora do Brasil por quinze anos. Dedicava-se exclusivamente a escrever. Separada do marido e de volta ao Brasil, passou a morar no Rio de Janeiro. Em 1976 foi convidada para representar o Brasil no Congresso Mundial de Bruxaria, na Colômbia. Claro que aceitou: afinal, sempre fora mística, supersticiosa, curiosa a respeito do sobrenatural. Em novembro de 1977 soube que sofria de câncer generalizado. No mês seguinte, na véspera de seu aniversário, morria em plena atividade literária e gozando do prestígio de ser uma das mais importantes vozes da literatura brasileira.

Quer saber mais sobre Clarice, acesse aqui.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Quase sem querer

   Carlos era apaixonado, sonhador, queria ter um futuro brilhante, construir sua própria família. Tinha 15 anos, e a apenas 2 teria se mudado para a cidade grande, São Paulo. Tinha cabelos curtos, cacheado e preto, alto, dos olhos castanhos e pele morena. Morava em um bairro humilde, afastado do centro.
   Sua escola ficava a duas quadras, estava no 1º ano do ensino médio, e o único motivo de gostar de ir a escola, era para ver uma garota do 2º ano, linda. Luiza tinha 16 anos, cabelos louros, enrolados, olhos castanhos e pele branca como a neve.
   Havia duas semanas que Carlos andava pensativo, indeciso e talvez, receoso  com medo. Queria poder se entregar de corpo e alma, mas tinha medo do que a garota falaria. Seus amigos que não acreditavam que a garota fosse o querer, pelo fato dela ser um ano mais nova e que ainda era apaixonada pelo sua ex-namorado, que por sua vez, não suportava ver um garoto dando em cima de sua "menina". Mas Carlos não podia perder as esperanças, ela era a mulher de sua vida, mãe de seus futuros filhos. Na mente de garoto o fato do ex-namorado e de sua idade não passavam de um simples desafio que teria que ser enfrentado, mas faltava coragem.
   No começo a garota era apenas sua amiga, mas os sentimentos foram se intensificando. Carlos não parava de pensar em Luiza um sequer segundo, isso havia atrapalhado o rendimento do garoto. Todas vez que se sentia mal, lá estava ela, parecia pressentir, era como um anjo.
  No ano seguinte o ex-namorado de Luiza havia abandonado a escola, mas não a garota, que por mais que sentisse que ele ainda era dono de uma parte de seu coração, a volta deles era impossível, pois a mãe de Luiza não gostava do garoto, que se achava o "mais-mais" de toda escola, e realmente era. Bem, um de seus      obstáculos já havia, em partes, sido resolvido, mas faltava a coragem e um empurrãozinho pela parte de seus amigos.
   Eles marcavam de sair alguns finais de semana, era uma felicidade quando ele recebiai o telefonema de Luiza o chamando para sair. Iam ao cinema, teatro, livraria, lanchonetes, e aonde quer que fosse o local já era suficiente para Carlos ficar ainda mais apaixonado por Luiza. Mas o tempo passava e o final do ano chegava, Luiza viajaria para Londres, prestar a universidade. Eles já contavam segredos uns aos outros, Luiza falava dos garotos que gostava, Carlos só ouvia, pois a unica garota que amava, estava em sua frente e era apenas uma amiga de escola, sua melhor amiga, talvez.
  Era setembro, aniversario de Carlos, e como todos os anos uma pequena pequena chuva caia, e batia nas janelas de seu quarto. Este ano tinha planejado uma coisa diferente dos demais, não ficaria em casa, sairia com seus amigos para uma festinha perto dali. Chegando lá encontrou varias pessoas de sua escola, inclusive Luiza. Mas ela estava diferente, estava acompanhada, acompanhada de seu ex, aos beijos, agarrada ao ex. Mas ela não podia, ela prometera a Carlos que não faria isso, não voltaria com ele, mas o que os olhos vêem, é difícil desmentir.
   Carlos até pensou em voltar para casa, mas todos, inclusive ela perceberia que ele à amava. E sem pensar duas vezes, aplicou o plano da vingança, deu um beijo na amiga de Luiza, que quando viu, sentiu um aperto no coração, mesmo estando acompanhada, sentia que gostava um pouco, ou talvez muito, de seu melhor amigo.
   O tempo foram passando, eles já não era tão grudados como antes, não contavam tudo que viam, ou sentiam um para o outro. Assim como Carlos, Luiza também sentia falta de estar acompanhada com o amigo.
   Era final de ano, na formatura de Luiza, ela como sempre estava linda, mas como sempre, agora estava acompanhada de seu namorado. Carlos não suportava vê-los juntos, mas o que poderia fazer? Gritar e pedir a ela que eles terminassem? Para cobrar ela de sua promessa? Não, Carlos mais uma vez não iria correr atrás de sua amada.
   O dia da partida de Luiza havia chegado, ela esperava por ele, por seu melhor amigo no aeroporto, mas Carlos não apareceu. Estava ocupado demais com a sua vidinha monótona, magoado e chateado com a garota. Tentava a todo custo tirá-la da cabeça.
   Luiza esperou até o último minuto, mas ele não apareceu, ele á abandonou.
   Carlos arrependido, resolveu ir até o aeroporto, acho que o voo sairia ás 14:00. Ela já teria partido, o abandonado, sabe-se lá quando ela voltaria.
  Tentou por diversas vezes escrever cartas, mas não tinha coragem de enviá-las. Até que um dia decidiu que alguma coisa teria que ser feita, e por mais que ela não recebesse ou não leria a carta, ele havia tentado.
   Dias se passaram até que uma carta de retorno havia chegado, remetente: Luiza Oliveira Simões. Carlos ficou surpreso ao ler, nela Luiza disse que sentia o mesmo amor por ele, que ela só estava com o ex porque achava que Carlos não à queria. Que era para ele esperar, ela voltaria, e eles seriam muito felizes. Essa era a nova promessa de Luiza, e ela estava afim de cumpri-la.
  Nove meses se passaram e Luiza retornou ao Brasil. Durante o tempo que estavam afastados, trocavam cartas sempre que possível.
   Luiza cumpriu a sua promessa, e assim foram felizes para todo o sempre, enquanto existia vida, enquanto existia o amor. E a certeza de que um completava o outro era cada vez mais certa. Estava escrito, cada detalhe, da forma mais bela possível e impossível.


domingo, 10 de março de 2013

Entrevista com Clarice Lispector




   Clarice Lispector se dizia uma pessoa triste, tímida e a todo momento demostrava isso, se dizia também, ousada e sozinha. Não se considerava uma grande escritora, apenas uma amadora de contos.
   Clarice nasceu na Ucrânia, não se sabe a data e nem seus pais biológicos. Veio para o Brasil ainda nova, conheceu um diplomata brasileiro com o qual casou-se e teve um filho.        
   Clarice diz na entrevista que começou a ler, assim que começara a escrever. Sentia facilidade em escrever para crianças e jovens, e que, para os adultos ela escrevia sobre sua vida, contos mais maduros e com uma dificuldade maior no entendimento. Não tinha horário especifico para suas escritas, mas geralmente na parte da manhã, enquanto tomava seu café. Sentia-se morta quando escrevia.      
   Morou em diversos lugares como no Nordeste e Rio. Apesar de ter sotaques diferentes, o que dificultava o entender de algumas palavras era o problema de língua presa que a escritora tinha.
   Escrevia sobre diversos temas, para todas as idades.


Atividade proposta pela professora Ilvanita, de Língua Portuguesa, que passou o vídeo em sala de aula e solicitou uma síntese sobre o mesmo.